Filme com produção norte-americana é gravado em Florianópolis

A capital catarinense é cenário do curta-metragem “Macumba: Folclore de Família” entre os dias 16 e 20 de janeiro de 2023

Uma história real contada de forma despretensiosa durante uma reunião de família foi o fio condutor para o roteiro do curta-metragem “Macumba: Folclore de Família”, que a partir da próxima semana começa a ser gravado em Florianópolis, com atores locais. Escrito pela catarinense Aline Andrade, a história é um drama sobrenatural de realismo mágico que se passa no Brasil dos anos 60, centrado numa família típica católica do sul de Santa Catarina. De acordo com a roteirista e diretora, que vive e trabalha em Los Angeles e Hollywood há 20 anos, conforme ela foi escrevendo a história, ela pode se conectar mais com a própria família dela. Assim, a expectativa é de que o público brasileiro siga pelo mesmo caminho de conexão.

Aline conta que o filme foi escrito primeiro em inglês, com algumas frases em português, pois sua ideia inicial era filmar em Los Angeles, mas quando começou a mostrar o roteiro para alguns conhecidos do Brasil, percebeu que fez mais sentido traduzir o roteiro e filmar no Brasil mesmo. Daí para a escolha do elenco e da locação foi um caminho bastante orgânico. “Quando comecei a encontrar o time que me fez sentir que o filme ia estar em boas mãos, percebi que todo mundo morava em Florianópolis”.

A história original se passa em Tubarão, a duas horas da capital catarinense. Assim, fez todo o sentido o cenário da Ilha da Magia com o tema do filme que também tem algo de mágico. A diretora vê um potencial visual imenso na história, com elementos da relação entre pais e filhos, psicologia infantil, a religião de Candomblé através do ponto de vista Católico predominante e todo o mistério envolvido.

Sintonias

A diretora de elenco Luciana Prado foi quem fez o casting do filme e foram selecionados Raquel Stüpp, Chico Caprario, Joana dos Santos e Zoê França Danielewicz (em seu primeiro filme) como Elisabeth, a personagem principal. No filme, quando sua mãe decide preparar uma macumba falsa, Elisabeth, de 12 anos, começa a ter visões de Iansã, o Orixá dos ventos, trovões e força feminina. Iansã dá uma missão a Elisabeth: ela precisa enfrentar o pai e pedir que ele não bata mais nela. Quando a menina toma coragem de falar com ele, a dinâmica da família muda e o trauma geracional é quebrado.

Para criar toda a cumplicidade necessária entre os atores, Aline deixa a cena fluir com diálogo e eventos que vêm da imaginação de cada ator. Depois, editando, é que ela leva em consideração o ritmo da cena e, assim, vai criando a cadência do filme. Conforme a diretora explica, a leitura e a conversa com os atores nos dias antes das filmagens são essenciais, então ela sabe que a equipe toda está bem preparada para filmar “Macumba…”.

Depois de todo o processo finalizado, o filme, que é produzido de forma independente, será enviado para diversos festivais de cinema nacionais e internacionais. O objetivo é mostrá-lo para o maior número de pessoas possível e, assim, prospectar parcerias com outros produtores e investidores que tenham interesse em filmar o longa-metragem, que tem mais chance de ser distribuído por cinemas ou plataformas internacionais.

Aline, inclusive, tem bastante experiência em plataformas internacionais. Seu nome aparece como produtora de filmes, séries e documentários na Netflix (onde também aparece como atriz), no Hulu, no Facebook Watch, na PBS, na HBO, na National Geographic, na FIFA+ e na Apple Music. Hallmark Channel e Discovery Channel também estão em seu portfólio de atriz.


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