Armação - Panorâmica Praia

Armação do Pântano do Sul

Centro e Rodoviária: 24,1 km | Aeroporto: 20,2 km
Bairros próximos: Pântano do Sul, Campeche.
Praias próximas: Praia da Armação, Praia Matadeiro.


O bairro Armação do Pântano do Sul está localizado no sul da Ilha de Santa Catarina, voltado para a porção leste, de frente para o oceano atlântico, a 24,1 km de distância do centro de Florianópolis.

Com 2.837 habitantes, a Armação, como é mais conhecido pelos moradores, é um bairro pequeno, que mantém as características de antiga vila de pescadores. As principais vias que servem de acesso ao bairro são a Rodovia SC-406, no sentido norte-sul, e a Avenida Antônio Borges do Santos. Esta última termina na margem do Rio Sangradouro, que tem sua foz na união das praias da Armação e do Matadeiro.

Ao longo dela, principalmente no largo em frente à igreja, chamado de centrinho da Armação, existem alguns restaurantes e lojas, em sua maioria destinadas ao comércio de artigos de praia. Os mercados, padarias e farmácias estão espalhados ao longo da Rodovia SC-406.

As opções de lazer noturno na região são escassas, exceto por alguns poucos bares que abrem durante a temporada de veraneio e tornam a fechar entre os meses de março e novembro.

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História

O nome Armação vem de um capítulo não muito nobre da história da região, embora indispensável para o desenvolvimento econômico de toda ilha. As Armações eram os lugares destinados ao beneficiamento da gordura das baleias para a produção de óleos e borra, utilizados na iluminação pública, como lubrificante em engrenagens e como elemento aglutinante nas argamassas (gala-gala), utilizadas nas construções da época. Outras partes do animal também eram aproveitadas, como o espermacete, uma matéria branca, oleosa e viscosa, extraída de seu cérebro, e o âmbar-gris, uma substância sólida, proveniente do intestino do animal. Ambos tinham diversas utilidades, sendo usados no preparo de detergente, consolidador, emoliente, unguentos, pomadas, bálsamos, cosméticos e sabões mais finos. Além desses, ainda eram utilizadas as barbatanas e até mesmo a carne, esta na alimentação dos escravos.

A região da Armação do Pântano do Sul foi ocupada, cerca de 5000 anos antes, pelos povos primitivos, que deixaram marcas de sua presença através de oficinas líticas. Já a ocupação pelos colonizadores teve início no ano de 1772, com a instalação da “Armação e Fazenda de Santa Anna da Lagoinha” para a exploração da caça as baleias (baleação). O termo “Lagoinha” referia-se a Lagoa do Peri, que teve seu entorno utilizado para a produção agrícola que sustentava a Armação. Neste período, os primeiros moradores desta região foram os portugueses e os negros escravos. Os portugueses e seus descendentes, eram assalariados, e trabalhavam como responsáveis pela administração da Armação, como “Mestres” nas embarcações e como comerciantes. Aos Negros escravos era destinado o trabalho pesado, como os serviços braçais nas construções, a manutenção das instalações e da lavoura e a limpeza e conservação da baleias, quando capturadas.

Os Açorianos e Madeirenses,  que haviam sido enviados pela coroa portuguesa para o povoamento da Ilha de Santa Catarina, eram contratados como baleeiros e tinham remuneração variável conforme a sua posição dentro do barco, como arpoadores e remadores, mas apenas durante o período de caça, que durava entre três a quatro meses no ano.

O desenvolvimento da pequena vila foi orientado pela capela de Sant’Anna, construída no mesmo ano da chegada dos portugueses e negros. As primeiras instalações foram construídas nas proximidades da capela e, com o passar do tempo, as demais construções foram se distribuindo ao redor dela.

Como um dos principais objetivos da fundação da Armação do Pântano do Sul era o incentivo à pesca predatória da baleia, essa foi, por muito tempo, a principal atividade econômica da comunidade. Contudo, essa não era a única atividade desenvolvida, os moradores da vila também pescavam outras espécies marinhas e tinham no cultivo da terra uma importante fonte para a sua subsistência.

No século XIX, a relevância das armações espalhadas ao longo do litoral de Santa Catarina era tão grande para a economia local que elas passaram a fazer parte da Intendência da Marinha de Santa Catarina. Mas não foi apenas esse fato que alterou a dinâmica da Armação; com o incentivo às imigrações italiana e alemã, algumas famílias alemãs foram abrigadas na pequena vila ao sul da Ilha de Santa Catarina.

A pesca da baleia foi bastante expressiva até a década de 1920, quando passou a entrar em decadência devido à instalação de armações nas Ilhas Malvinas e, mais tarde, por conta da diminuição de aparecimentos da espécie no litoral catarinense. No entanto, várias das armações existentes em Santa Catarina prolongaram suas atividades até a década de 1950, entre elas a da Armação do Pântano do Sul.

Entre as décadas de 1960 e 1970, Florianópolis passou por um grande desenvolvimento urbano e começou a receber mais turistas. Como o acesso às regiões mais afastadas do centro da cidade se tornou mais fácil, muitos puderam conhecer os encantos naturais da Armação do Pântano do Sul e outros tantos se mudaram definitivamente para o bairro. Como consequência, a localidade cresceu de modo expressivo nas décadas de 1980 e 1990.

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Baleias e os Barcos Baleeiros

As baleias francas são cetáceos, pertencente ao género Eubalaena. A espécie mais avistada no sul do Brasil é baleia-franca-austral (Eubalaena australis), uma das três espécies de baleia-franca. Envolta por uma camada de gordura de 40 centímetros, esta espécie mede cerca de 18 metros e pode pesar até 60 toneladas.

Elas foram denominadas “Franca” por seu comportamento manso, que facilitava a ação dos caçadores. A tática desenvolvida por eles para a captura-las, era simples: para atrair a baleia-mãe, prendiam seu filhote junto ao barco. Na tentativa de proteger a baleia-bebê, a mãe se aproximava muito da embarcação e acabava sendo atingida pelo arpão que era atirado por um membro, de pé, na ponta da embarcação. Após atraírem e matarem a mãe, o filhote também era morto e seu corpo descartado, pois não continha grande quantidade de gordura.

Uma baleeira era tripulada por seis remadores, um timoneiro e um arpoador. Os barcos variavam em tamanho, entre 10 a 12 metros de comprimento e 2,20 metros de largura (boca). Possuíam a proa (frente) e a popa (fundo) iguais, para facilitar as manobras em ambas as direções, um mastro, verga, leme, seis bancos e sete remos – um remo reserva. As velas, eram quadrangulares ou redondas, confeccionadas em brim ou algodão.

 


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