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Museu Hassis

O Museu é uma homenagem ao artista catarinense Hiedy de Assis Corrêa. Foi criado em 2001, e tem como objetivo preservar e divulgar a memória e o material do artista. A sede da Fundação é na antiga casa de Hassis, local onde o artista morou entre os anos de 1969 e 2001. Além das obras, o museu possui um arquivo, auditório, oficinas e atividades de difusão cultural como seminários e exposições.

Acervo do Museu Hassis

O Museu abriga um grande acervo de obras em desenho, pintura, cinema 8mm, Super 8, fotografia, slides e audiovisuais. Todo esse conteúdo foi recolhido durante os mais de 60 anos de atividade do artista, entre os anos de 1944 e 2001. E, por conta dessa diversidade artística, o museu foi dividido em seis seções, cada uma contendo obras únicas produzidas com materiais diferentes.

Acervo pictórico: composto por aproximadamente seiscentas obras, essa coleção apresenta a mais reconhecida face de Hassis, a de pintor. As obras utilizam tinta acrílica sobre tela, eucatex, papelão ou madeira e foram conservadas por Hassis em seu próprio acervo. O acervo pictórico do museu abriga desde a primeira pintura de Hassis, em 1957, até seu último quadro, em 2001, que não foi finalizado em virtude de seu falecimento.

Acervo escultórico: na década de 70, Hassis inova e começa a produzir esculturas, utilizando restos de materiais. Em suas obras, o artista cria formas a partir do recolhimento de lixos da construção civil. Essas obras ainda podem ser vistas no arquivo fotográfico, que contém imagens da época em que foram criadas. Outro trabalho que se destaca é uma gaivota de grande dimensão, concebida por Hassis em ferro.

Acervo de obras sobre papel: Hassis estudou por mais de meio século o desenho e também a pintura. Talvez seja a porção mais desconhecida e rica de sua obra. Depositadas em 25 caixas de papelão de filme fotográfico, as 1.500 obras apresentam todo um caminho percorrido por Hassis nas artes plásticas. Na primeira pasta, pode-se ver seu primeiro desenho, feito aos 11 anos de idade, em 1937. O acervo também possui os cartazes criados pelo artista desde a década de 60, quando passou a trabalhar como desenhista da Universidade Federal de Santa Catarina.

Acervo documental: desde a década de 40, Hassis reuniu mais de sete mil documentos e recortes de jornais que relatavam sua obra e dos demais artistas que tinha contato. Já na década de 60, o artista passou a reunir catálogos e convites de exposições de artistas catarinenses, que revelam os ambientes e modos de veiculação da arte no estado. Este acervo se encontra devidamente restaurado e acondicionado.

Acervo Fotográfico: desde jovem, Hassis não saía de casa sem sua câmera a tiracolo. E o resultado deu certo. O artista conseguiu reunir um grande acervo fotográfico, que abriga mais de oito mil fotografias e cerca de mil dispositivos. As fotos retratam Florianópolis da década de 50, 60, passando pelas exposições de artistas, até fotos familiares.

Acervo audiovisual: Hassis foi um dos pioneiros do cinema 8mm e Super 8 em Florianópolis. Não se contendo a meros registros familiares, o artista partiu para uma experimentação visual. Desses trabalhos, destacam-se: Ano 66 (8mm, 1966, 26´), Batucada (Super 8, 1970, 4´30´´), Ontemanhã (Super 8, 1972, 15´), Fpolis Era (Super 8, 1978, 8´40´´), Mãos (Super 8, 1979, 4´), Itaguaçu (Super 8, 1979, 3´50´´) e Dança Boi (Super 8, 1979, 6´30´´). Com a introdução das câmeras VHS, Hassis passou a filmar no formato de vídeo, gravando mais de 500 fitas.

Conheça o acervo virtual do Museu Hassis.

Pequena história sobre o artista

Nascido em Curitiba, em 1926, Hiedy Assis Corrêa passa a residir em Florianópolis no ano de 1928. Desde a infância, Hassis demonstrou interesse por arte e sempre se mostrou criativo, principalmente quando lia revistas em quadrinhos, observando movimentos, formas e cores.

Iniciou sua carreira como desenhista em uma empresa de tipografia e na madeireira Santo Amaro. E, em 1948, o artista ilustra os contos “Noturno” e “Flores”, além da capa do livro “Terra Fraca”, tornando-se ilustrador da Revista Sul e contribuinte do movimento artístico e literário conhecido por “Grupo Sul”, na década de 40 a 50. Na mesma época, torna-se membro fundador do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis – GAPF, e participa do primeiro Salão desse mesmo grupo, obtendo o 1º lugar com a tela “Vento Sul com Chuva”.

Em 1962, Hassis apresenta uma das suas principais obras, no qual foram pintados sobre tela os 14 passos de sua Via Crusis, expressando toda serenidade de Cristo no sofrimento do Calvário.

Já em 1972 é apresentada a exposição “O Circo”, que mostra o universo do espetáculo, povoado de sonhos e fantasias. Estes mesmos desenhos foram reunidos e transformados em um álbum, contendo 19 pranchas e intitulado de “Respeitável Público”, sendo publicado em 1982.

Hassis e o painel “Contestado – Terra Contestada”

Hassis sempre foi interessado pela Guerra do Contestado, principalmente por intermédio de seu avô, que teve participação direta no conflito. E, com base nos desdobramentos deste conflito, o artista inicia em 1984 a pintura do painel “Contestado – Terra Contestada”, com 36 metros de comprimento, divididos entre seus sete módulos. Os desenhos retratados no painel fazem um relato cronológico da Guerra do Contestado. Após ficar por anos no Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis, ele foi transferido para o museu do Contestado, em Caçador –SC.

Toda a evolução plástica de Hassis mostram seus registros de infância, situações do cotidiano, temas sociais e principalmente sobre o folclore ilhéu, os lugares e personagens da terra catarinense. Foi em Santa Catarina que o artista viveu desde os dois anos de idade, onde se tornou um artista de renome e importante para o contexto da arte catarinense. O artista conta com mais de 66 exposições individuais realizadas, que integram alguns acervos dos seguintes museus de arte: Masc de Florianópolis/SC, MAC de Curitiba/PR, além de coleções particulares no Brasil e no exterior.

Principais obras

Destacam-se as obras: Vento Sul com Chuva (1957), Via-Crucis (1961), O Circo (1972), BR (1977), Artepoema (1982), Contestado – Terra Contestada (1984), Farra do Boi (1989), Os Sete Pecados Capitais (1996), HQ (1999) e Brasil 500 anos (2000).

Endereço, Visitação e Contato

Museu Hassis – Rua Luiz da Costa Freylesben, 87 – Itaguaçu.
Segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. Visitas guiadas podem ser agendadas, com turmas ou individuais.
Gratuito.
(48) 3348-7370 ou pelo site da Fundação Hassis.

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