Tradição das marisqueiras do Pirajubaé está ligada a molusco da Baía Sul | Guia Floripa

Tradição das marisqueiras do Pirajubaé está ligada a molusco da Baía Sul

Costeira do Pirajubaé
Costeira do Pirajubaé

Na Baía Sul de Florianópolis, o berbigão está ligado há décadas à atividade extrativista das comunidades do Pirajubaé. As mulheres participaram historicamente da coleta, processamento e comercialização, do molusco.

Ao redor de algo que sequer aparece para quem observa a superfície, formou-se uma relação duradoura entre trabalho, território e comunidade. Mas como um elemento escondido pode ocupar uma posição tão central nessa história? Os jogos digitais ajudam a entender isso.

O que está sob a superfície muda a forma de interpretar o espaço     

Em diferentes contextos, uma superfície aparentemente uniforme pode esconder informações importantes sobre o que existe abaixo dela. Essa lógica aparece de forma visual em experiências digitais nas quais o conteúdo só se torna conhecido quando determinadas áreas são reveladas.

No jogo Mines, por exemplo, cada quadrado fechado pode esconder um conteúdo diferente, fazendo com que aquilo que não está visível seja parte central da própria representação do espaço. A comparação ajuda a ilustrar uma característica também presente nos bancos do Pirajubaé: observar apenas a superfície não permite identificar onde está o elemento que dá significado àquele ambiente.

No caso da Baía Sul, porém, essa característica pertence ao próprio ambiente. É sob a superfície dos bancos do Pirajubaé que está o berbigão, e entender esse espaço ajuda a explicar por que o molusco se tornou tão importante para a atividade extrativista local.

A coleta do berbigão começa nos bancos do Pirajubaé

Esses bancos ficam na Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, na Baía Sul de Florianópolis, em uma área que reúne ambientes marinhos e parte do manguezal do Rio Tavares. É nesse espaço que ocorre o berbigão, molusco estreitamente ligado à história da atividade extrativista desenvolvida na região.

O berbigão vive enterrado no substrato desses bancos, e foi justamente em torno de sua presença nesse ambiente que se estabeleceu a coleta realizada durante décadas pelas comunidades próximas à Costeira do Pirajubaé.

Após a retirada do berbigão, seguem-se etapas como o processamento e a comercialização, ampliando a atividade para além do momento da coleta. É nesse percurso entre os bancos e a preparação do molusco para venda e consumo que a participação das marisqueiras ganha importância para compreender a história local. 

As marisqueiras fazem parte da história do berbigão

As mulheres participaram historicamente de diferentes etapas relacionadas ao berbigão no Pirajubaé. A coleta manual aparece entre essas atividades, mas o trabalho feminino também esteve presente fora dos bancos, principalmente no desconche do molusco e em sua comercialização. Dessa forma, a cadeia extrativista não se restringia ao momento da retirada do recurso natural.

O processamento permitia preparar o berbigão para venda e consumo, enquanto a comercialização contribuía para transformar a atividade em fonte de renda para famílias da região. Essa presença feminina ajuda a revelar uma dimensão social da relação construída entre a comunidade e os recursos naturais da Baía Sul.

Criada em 1992, a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé passou a proteger uma área diretamente ligada à continuidade dessa atividade e aos conhecimentos desenvolvidos em torno da atividade extrativista. A história das marisqueiras, portanto, integra um cenário maior formado pelos bancos naturais, pelo berbigão e pelas comunidades da Costeira. Mais do que um recurso encontrado no substrato, o molusco tornou-se parte da memória de um território profundamente ligado à vida tradicional de Florianópolis.


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