Guia Floripa > Coluna Guia Floripa
 

COLUNA GUIA FLORIPA
Diário virtual
As informações contidas nesta coluna são de responsabilidade dos
autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Guia Floripa.

 

Xica da Silva, o musical

21/8/2010
 

Música, dança, interpretação, combinação perfeita de arte e lazer.


Assistir a um musical como Xica da Silva é ter a oportunidade de mesclar história e arte num só momento cultural. O espetáculo do cantor e compositor Charles Prochnow, apresentado no TAC, neste fim de semana, que conta com excelentes atores locais, dentre eles, Heron Queiroz (um amigo da época da universidade) foi além do esperado. Público envolvido, enredo e recursos cênicos bem trabalhados, uma mostra cativante das relações de gênero e raça nas Minas Gerais do século XVIII.

Em conversa sobre o espetáculo, Heron, que faz o capitão-mor Thomaz Cabral, contou-me que foram três anos de preparação, envolvendo pesquisas, composição musical e texto. Subsequente a isso, mais um ano de montagem e ensaio para se concluir o projeto e partir para as apresentações. No final de maio, o elenco estreou no Teatro do Centro Multiuso de São José com a aprovação do público e da mídia.

A história de amor entre a escrava Francisca da Silva e o contratador português de diamantes João Fernandes de Oliveira, em Arraial do Tijuco (hoje Diamantina-MG), é digna de curiosidade. Xica da Silva, que já esteve em filme, novela e consta nos versos de Cecília Meireles, neste musical, flui com leveza e espontaneidade, afirmando a sua relevância histórica na sociedade brasileira em tempos coloniais.

A peça se divide em dois atos com enredo linear: Xica ainda escrava, na casa do capitão-mor, até o momento em que é alforriada. Depois, ao lado do contratador de diamantes até este voltar a Portugal. Há pontos distintos na peça, alternados em flashs engraçados, que levam facilmente o público ao riso e os de grande emoção, sobretudo nos momentos de músicas, todas compostas por Charles Prochnow.

Atores, cantores e bailarinos passeiam em conjunto no palco de maneira harmoniosa, cantando, dançando e interpretando toda a obra musical. O corpo de baile preenche as cenas com belíssimas coreografias de movimentos afros. Um belo espetáculo, com prospectos para turnê nacional. Mais uma obra que combina cultura e lazer em grande estilo.

Luciana Penteado
lucianamp68@hotmail.com
Fotos: Adair Felizardo

 
 

 

Clarice, simplesmente!

2/8/2010
 

Beth Goulart apresenta a peça que ela mesma adaptou e dirigiu sobre a vida e a obra de Clarice Lispector.

Os mesmos olhos amendoados, quase oblíquos, a similaridade nos traços eslavos, os cabelos claros e um ar altivo de eterno mistério... Assim foi a aparição de Beth Goulart no palco do teatro Álvaro de Carvalho para apresentar o monólogo em prosa poética "Simplesmente eu, Clarice Lispector". Adaptado e dirigido pela atriz, esse espetáculo, que lhe rendeu prêmios, é um tributo de primeira grandeza à estrela da literatura brasileira, que tão bem soube questionar a vida e a morte, as contradições humanas e o universo das emoções.

Clarice tinha o dom da escrita e dela fez a sua história. Um verdadeiro quebra-cabeça a ser montado pelos estudiosos, peça a peça, um enigma para os leitores que se encantam com as suas narrativas intimistas. Sozinha em cena, Beth interpreta a autora e quatro personagens, intercalando trechos das obras Perto do Coração Selvagem, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres e os contos Amor e Perdoando Deus. Ao público foi dada a oportunidade de infiltrar no mundo de Clarice através de suas aliciantes interpretações do amor, do transcendental e do seu papel de escritora.

A peça permeia momentos de sobriedade e de tensão. Há fragmentos da personalidade da autora e excertos de suas personagens, que passeiam pelo palco com a leveza das suas metáforas e a densidade das suas inquietações. Uma mulher de muitas viagens, de incontáveis paragens, que tinha uma relação bastante peculiar com o mundo... Beth soube, como ninguém, tatear os segredos, a combinação de expressões, a força das palavras da autora, que transformou sua obra nas mais belas indagações sobre a vida e os seus estigmas.

Um espetáculo para ser visto e, se possível, revisto. Aplausos, muitos aplausos, satisfação do público e da atriz pelo que ela chamou de "troca de energia". Aliás, a versatilidade de Beth e os recursos de que ela se vale em cena são os responsáveis pelo fascínio consentido, pelo estado de êxtase a que somos levados a mergulhar. Porém, o que se pôde concluir, apesar do desvelo da atriz em desnudar Clarice (que gostava das sombras de mistério) é que os seus escritos continuam sendo uma metáfora inebriante aos seus leitores.

Luciana Penteado
lucianamp68@hotmail.com
Fotos: Divulgação

 
 

 

Hit Maker!

12/7/2010
 

Show de Lulu Santos em Floripa teve os clássicos, o roots e as desmunhecadas.

Lulu Santos é o nosso Mick Jagger. Sexy, carismático, energético, talentoso e possui um repertório recheado de hits que sempre emocionam e empolgam o público. Um Certo Alguém, Último Romântico, Tempos Modernos, Apenas mais uma de amor, Advinha o Que, A Cura, Como uma Onda, SOS Solidão, e claro Toda Forma de Amor executadas em arranjos originais para saciar de vez seu público nostálgico, assim presenciamos a estreia do novo trabalho de Lulu.

Uma coisinha me chamou atenção, apesar de músicas cada vez mais eletrônicas no mundo pop, Lulu está mais roots. Com três percussionistas em palco, as músicas ganharam mais swing e até rolou um bloquinho de samba com surdo e tudo para levantar a galera. Inclusive o show começou com um batuque de terreiro; Lulu entra dançando e faz saudações afro! E algumas músicas do show começavam com um batuque, enfim, roots entendem?

Fiquei feliz por estar ouvindo as músicas que fizeram parte de toda minha adolescência, por assistir ao Lulu mandar bem nelas (até as desmunhecadas em palco lembram o astro inglês) e por sua “inovação de raiz”! O ar condicionado, metade do povo sentado, o preço dos ingressos e pagando 6 reais numa sol, foram as únicas coisas que arrebataram o desejado clima nostálgico...

Renata Swoboda
contato@renataswoboda.com
Fotos: Renata Swoboda / Claudia Mussi

 
 

 

Lulu Santos estreia turnê em Floripa

12/7/2010
 

10 anos depois, o cantor volta ao som Acústico com novas músicas e seus maiores sucessos.

Tem músicas que são assim: é só apertar play que, não importa plateia, idade ou classe, sai todo mundo cantando e dançando junto. Lulu Santos é craque nisso. É um verdadeiro hit man. "Ainda vai levar um tempo, pra fechar o que feriu por dentro...", "Mas o teu amor me cura de uma loucura qualquer...", "Pois bem cheguei, quero ficar bem à vontade...". Depois do show que fez no Costão do Santinho Resort, neste último sábado (10/7), está provado que a fórmula mágica das composições de Lulu ainda funciona. O público pulou, dançou e cantou junto. Algo que ajudou bastante foram os novos arranjos, com mais percussão - que proporcionava um feeling afro. Algo que ajudou mais ainda foi o carisma do cantor, que se comunica com seu público de forma amistosa.

O show marcou a estreia do Acústico MTV Vol. 2, que contém clássicos e músicas novas - muito boas por sinal, mostram um Lulu Santos mais maduro, mas carregam a marca registrada de suas composições. Como em qualquer estreia, os músicos ainda estavam um pouco inseguros. Insegurança que travou a desinibição dos artistas em palco. Normal, confiança se ganha é fazendo show mesmo. Nada que pusesse em risco a magia da noite.

Está de parabéns também a produtora Eveline Orth, da Orth Produções, que trouxe o show para Floripa. O espaço da plateia foi muito bem aproveitado. Com camarotes em um andar superior, cadeiras de um lado e pista do outro. Assim, ninguém foi desprivilegiado por ter optado por assistir ao show em pé ou sentado. O bar funcionou, mas com os preços amargos que se pode esperar de um evento naquele local. Não houve problemas na entrada ou na saída, realmente uma produção muito competente. Tudo o que se podia esperar de um sábado à noite, como cantou Lulu.

Claudia Mussi
redacao2@guiafloripa.com.br
Fotos: Claudia Mussi

 
 

 

Club das Mulheres!

9/7/2010
 

A Concorde Club abriu espaço para as mulheres héteros se divertirem na pista da casa.

Fomos em um bando, mas só duas se arriscaram a escrever sobre a noite. Acho que as outras não conseguiram explicar em palavras aquela quinta-feira um tanto diferente.


Grazi: As mulheres começaram tímidas e logo foram formando grupinhos. Os garçons eram os mais requisitados, tudo porque era a noite delas no Club das Mulheres. Quem cobrava os 10% eram as clientes, só que em vez de dinheiro era um tempinho com eles. Por volta da meia-noite a pista deu lugar aos personagens: Cowboy, Médico, Gladiador... As mulheres já não eram as mesmas do começo, estavam mais soltas, e se rendaram às brincadeiras dos garotos.

Dani: Chegamos bem cedo. Convidei minha mãe, e, ela sempre gosta de estar no horário certo; não importa o evento. Não tinha quase ninguém na casa, então começamos a observar as mulheres chegando. Engraçado era ver os carros lotados. Só vinham em bando mesmo. Muitas se entreolhavam e davam um sorriso tímido. Timidez esta que deu lugar a gritos e pegação, no final. Começou o desfile e as mulheres já estavam altas, cheias de entusiasmo. A cada personagem, a cada roupa tirada... gritos e mais gritos. Alguns saíam da passarela todo vermelho, unhado. Mas faz parte do show.

Bacana é iniciativas ousadas e diferentes. Com certeza, para os que não acreditaram na festa, houve surpresa e até contentamento. É bom ver que as mulheres estão mais abertas e se permitindo viver fora do padrão passado. O Club das Mulheres, pelo visto, foi bem-vindo!

 

Graziely Neri e Dani Medeiros
grazielyneri@hotmail.com
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Dani Medeiros

 
 

 

Canta Gal, Canta!!!

13/06/2010
 

Uma noite linda... dançando um sambinha ao som de Gal Costa e Luiz Meira! Um Dia dos Namorados memorável.

Gal Costa e um microfone. Luiz Meira e um violão. Simples assim! O resultado? Ah, o melhor show acústico que já tive o prazer de presenciar. Somente os dois no palco garantiram um espetáculo que muita banda, de cinco integrantes ou mais, não consegue fazer. A voz de Gal se transmutava em cada canção. Virando até onomatopeia de pandeiro. Fazendo um contraponto com o violão de Luiz Meira, que também arrancava sons de outros instrumentos.

O repertório serpenteou pelos sucessos da sua carreira e por vários compositores antigos, consagrados e outros mais novos. Músicas que fizeram todos cantar, gritar, embalar, dançar... Entre elas: Baby, Sorte (Papas da Lígua), Vatapá (Dorival Caymmi), Força Estranha e Meu Bem, Meu Mal (Caetano Veloso), Aquarela do Brasil (Ari Barroso), Folhetim (Chico Buarque), Esotérico (Gilberto Gil), Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão)...

A "Doce Bárbara" e o nosso doce querido já trabalham juntos desde 1997. Luiz Meira fez parte da banda de Gal e agora está em carreira solo. Ano passado, ele lotou o Floripa Music Hall com o lançamento do CD Te Chamo Felicidade. Paralelo, percorre alguns países com esse show acústico ao lado de Gal.

Para quem não se lembra, Gal inaugurou o Floripa Music Hall em 2007 e desde então nunca mais veio pra cá. Belo dia para ela voltar! Os casais apaixonados agradecem...

Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Click Diniz

 
 

 

Orquestra de Câmara Fundarte

8/6/2010
 

Cultura cada um busca.

Quatro pessoas, de diferentes estilos. Uma apaixonada por dança, dois por música popular e uma por cultura. Sim, juntando os quatro chegavam ao denominador comum, o sentimento e a vontade de conhecer algo inédito na vida deles, ir a uma orquestra de 15 músicos profissionais tocando a quatro mãos.

O maestro Antônio Carlos Borges Cunha brincou com a plateia tanto em atos irreverentes de reger quanto na apresentação dos instrumentistas. A convidada da noite, a pianista Olinda Allessandrini, também brincou com o público ao entrar e juntamente com a orquestra tocou Villas Lobos, Chiquinha Gonzaga e as Quatro Estações de Astor Piazzola com arranjos de José Bragatto. Mas quem deu um show mesmo, foi o contrabaixista Luciano Dalmolin, em momentos específicos da música batucava no corpo do instrumento, criando um som diferenciado na orquestra.

Aquelas quatro pessoas sentiram-se deslocadas e até produziram críticas ao público daquele local. Eles realçavam o público de idosos que estavam em maior número. Não é nenhum preconceito não, mas onde estavam os jovens sedentos por cultura e amantes da música erudita, eram os valores? A distância do local do teatro? O gosto musical? A concorrência dos bares em véspera de feriado? Muitos são as perguntas e exclamações, mas no fim eles preferiram a resposta de que a cultura cada um busca da forma que achar necessário ou simplesmente não busca.

Graziely Neri
grazielyneri@hotmail.com
Foto: Graziely Neri

 
 

 

Cultura de Moda

19/05/2009
 

Quarta-feira, 19/5, workshops e palestras marcaram a semana cultural Donna Fashion.

Antes preocupada em oferecer tendências, o Donna Fashion Outono/Inverno 2010 trouxe para a Ilha, cultura de moda. Alguns olhares leigos em direção à moda, veem a superficialidade em primeiro lugar, mas basta frequentar os workshops e palestras da semana cultural, para perceber que a moda vai mais além. Superficialidade entra em contradição com trabalho, criatividade e inovação.

O último dia do evento começou com o workshop de Samira Campos e Gabriela Tanuri. Escritoras de moda como Lina Bo Bardi, Regina Guerreiro e Costanza Pascolato, inspiraram o público que analisou o francesismo, o jogo de palavras, a contextualização com a história e as características de cada autora nos textos. Para completar, uma crítica aos releases exagerados e confusos. "Esta moda é para mulheres fortes, independentes que sabem o que querem", desde quando? "Os vestidos estão em tom de verde ostra" O quê? Existe isso?

A palestra de Adriana Bozon, diretora criativa da Ellus, mostrou como se dá o trabalho manual na criação de uma peça que hoje é fundamental no guarda-roupa de qualquer pessoa, a calça jeans. Aquele jeans no armário, nunca mais será o mesmo aos olhos do público que compareceu. Foram apresentadas 40 formas manuais de criar detalhes nas peças, além das modelagens que surgem e ressurgem a cada estação. A mais nova criação: calça boyfriend.
A diretora foi rápida ao responder sobre o possível esgotamento no design do jeans: "Nunca. Existe uma eterna busca pelo novo, o detalhe diferente, o tecido, o corte...".

Um vídeo institucional mergulhou pela história da Ellus, relembrando as campanhas que apresentou a marca ao mundo. Uma em especial, levou a plateia ao êxtase, da mesma forma que a plateia do São Paulo Fashion Week em 2008. A campanha Ellus Under Water, apresentou em plena passarela casais se despindo embaixo d'água criando um Déjà vu na primeira campanha de 30 anos atrás, inclusive causou polêmica em plena ditadura militar.

A última noite do evento ainda não havia acabado, quando as bonequinhas urbanas da Animê encantaram o público. O Rock'n Roll marcou as peças da Renner. O frio da Patagônia inspirou a Beagle que enriqueceu os detalhes das roupas e para o final, a inovação da Ellus com o tecido leather denim, um jeans com aparência de couro. Até a próxima estação.

Graziely Neri
grazielyneri@hotmail.com
Foto: Cristiano Sant'Ana.

 
 

 

Quatro Estações: encontro do Convention & Visitors Bureau

17/05/2009
 

Quinta-feira, 13/5, o trade turístico teve encontro marcado.

Outono é um período gostoso. Não está nem frio nem quente. As folhagens estão começando a cair. E é nesse clima de mudanças que o encontro do FC&VB ocorreu, justamente para confraternizar os associados numa noite de network e novos relacionamentos. Pela primeira vez a pista do badalado El Divino Lounge, recentemente associado ao Convention, sediou o encontro.

A noite também marcou as boas vindas aos novos associados: Estúdio Vozes, CR Vigilância, Pousada das Plameiras, Restaurante Villa Terceira e as agências Turisan e América do Sol. Outra novidade foi o lançamento de um desafio às redes de hotelaria: os hotéis que aumentarem a arrecadação do Room Tax ganharão viagens a Buenos Aires (Os detalhes estão no site do Convention).

Já tradicional, o gran finale é marcado pelo sorteio de brindes. Teve muita gente que saiu de lá com um sorriso bem grande. Também, não é todo dia que se ganha diárias no Natur Campeche, na Pousada dos Chás, nos Hotéis Majestic, Praiatur e Mercure. Ah! Outros saíram com os tickets do show de Fábio Júnior, que ocorre no Dia dos Namorados no Costão do Santinho. Ainda, sortearam um passeio na Scuna Sul e no Floripa by Bus.

Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Fotos: Mário Costa Jr.

 
 

 
Infelizmente, é mais barato andar de carro
14/5/2010
 

Uma reflexão!

Há muito que o termo “sustentabilidade” deixou de ser somente um jargão acadêmico e passou a guiar as ações governamentais ao redor do mundo. Não só no Brasil, inúmeros esforços se dão no sentido de aumentar a eficiência energética dos processos industriais, diminuir o consumo dos automóveis, bem como reduzir a utilização de combustíveis fósseis optando por fontes mais limpas de energia. Estas ações têm a intenção de mitigar a atuação dos gases do efeito estufa na atmosfera, causadores do aquecimento global, e melhorar a qualidade do ar nas cidades.

No entanto, estes esforços só se mostram eficazes havendo uma ampla participação da população. Para a construção de uma sociedade sustentável, é fundamental, por exemplo, economizar energia elétrica e água, assim como diminuir o consumismo. Não menos importante é reduzir o uso dos automóveis. Segundo o Balanço Energético Nacional de 2009 – estudo feito pela Empresa de Pesquisa Energética, EPE – os veículos a gasolina e álcool foram responsáveis por mais de 12% da energia consumida no país no ano de 2008. Além deste fator, os veículos contribuem de forma direta e indireta na poluição atmosférica.

Em Florianópolis, o prefeito Dário Berger parece trabalhar contra uma vida urbana melhor. Somado ao problema ambiental, o elevado número de automóveis na cidade vem trazendo um grande problema de mobilidade para a população, que presencia diariamente os engarrafamentos das avenidas. Como se já não fosse demais, o preço da passagem aumenta indiscriminadamente, sem levar em conta os fatores sociais e ambientais, ou seja, priorizando somente o ganho das empresas do transporte.

Como forma de ilustrar o tipo de política viária de Florianópolis foi criado o gráfico abaixo. Ele mostra o custo em função da distância percorrida, associado a uma determinada modalidade de transporte. Na vertical temos o custo por pessoa, em reais, e na horizontal a distância percorrida, em quilômetros. As modalidades de transporte são: o transporte público, o carro com apenas um passageiro e o carro com dois passageiros. Para o cálculo, assume-se que a pessoa já possua um carro a gasolina, com um consumo médio de 10km/l, que o preço da gasolina seja de R$2,50 por litro e que o preço da manutenção do veículo seja de R$0,10 por quilômetro.

Para os casos do carro com um ou dois passageiros, o custo por pessoa aumenta conforme a distância percorrida. Para o transporte público, como a tarifa assumida é a tarifa única de R$2,95, o custo por pessoa permanece constante, ou seja, pode-se andar livremente, independente da distância, pagando apenas uma tarifa.

Através do gráfico, nota-se que para uma pessoa dirigindo um veículo sozinha, não é vantajoso utilizar o transporte público quando se deseja percorrer uma distância menor que 8km, ou seja, para se deslocar da UFSC ao Centro, é mais barato ir sozinho de carro do que ir de ônibus. Ainda, para um trajeto intermediário, como da Lagoa da Conceição ao Centro, continua sendo mais vantajoso ir num automóvel com duas pessoas do que utilizar o ônibus.

Não há nenhum benefício para se usar nosso Transporte Coletivo. As tarifas são abusivas, os ônibus não são freqüentes e, principalmente, o sistema não é confiável, sujeito a constantes mudanças de horários e linhas. Assim, o uso do automóvel é incentivado como política pública, agravando o problema ambiental e os congestionamentos na cidade. Só anda de ônibus quem não pode escolher. Quem tem carro, por mais que se preocupe com os problemas ambientais, escolhe não andar de ônibus devido ao sistema inconveniente e caro. O transporte público precisa oferecer benefícios para que essa escolha seja diferente.

Inicialmente, é necessário diminuir drasticamente o preço da passagem para que Florianópolis volte a se mover. Outras soluções podem ser implementadas juntamente com a diminuição da tarifa única, como por exemplo, a tarifação da passagem feita por zonas, incentivando o uso do ônibus para curtas distâncias e assim diminuindo o tráfego no Centro e em outros “gargalos” da cidade. Em relação aos engarrafamentos, existe a possibilidade de se utilizar o famoso “corredor de ônibus”, aprovado em diversas cidades do país. Priorizando-se o transporte coletivo, a cidade economiza em obras públicas necessárias para suportar o crescente número de veículos, além de manter a qualidade de vida, colaborando com os esforços mundiais para diminuição do efeito estufa.

A afirmação simplista do prefeito Dário Berger reflete a sua péssima administração: “Não tem como fazer mágica. Infelizmente alguém precisa pagar essa conta. Sempre que houver reajuste de salário, haverá aumento das passagens”. Ora, nada mais absurdo! As ações da prefeitura junto às concessionárias do serviço de transporte público devem ser para que haja uma melhoria na qualidade do transporte e para que o preço da passagem seja acessível à população, e não em defesa da incapacidade dessas empresas, que não conseguem – ou não tentam – diminuir os custos. A otimização do sistema de transporte, bem como a redução de custo, deve ser exigência da prefeitura e problema das empresas. A partir do momento em que estas não forem capazes de atender às exigências, devem perder a concessão do serviço e uma nova licitação deve ser realizada. Não há mágica!

Para saber mais:

Site: lataofloripa.libertar.org
Twitter: www.twitter.com/lataofloripa

Pedro Magalhães
pedromo@gmail.com
Texto e Fotos

 

 

Funk Como Le Gusta arrepiou no John Bull Pub

17/05/2009
 

Uma quinta-feira diferente no reduto do rock.

Pirei! Arte e cultura já estão na veia. Talvez em alguma outra vida eu tenha tido uma grande relação com o samba, maracatu ou percussão. E a noite do John Bull Pub foi bem assim. Sabe aquela energia da batucada? Bem isso.

Para começo de conversa, a fila já é peculiar quando rola shows diferentes dos já tradicionais da casa com o velho rock and roll ou blues. Assim como no Cordel do Fogo Encantado (Veja a Coluna de 2008), a galera é mais roots e não se vê tanto saltos altíssimos e homens mais sérios. É uma galera mais astral e menos pegação.

O palco do JB ficou ainda menor com os 10 músicos lá em cima. A mistura, a composição, a sonoridade é de arrepiar. É difícil denominar as músicas dos meninos. É samba-rock-soul-funk-jazz-'balacudum'-sei lá o que, inventado na hora.

Aqui, lançaram o primeiro DVD, chamado Funk Ao Vivo, e também tocaram músicas de Roda de Funk (2000) e F.C.L.G. (2004). No meio do show, estávamos no bar pegando uma bebida, aí apagaram as luzes do palco , achamos que tinha acabado, mas ouvimos uns batuques fortes vindo de não sei onde. Fomos averiguar. Eu, pouco conhecedora dos shows do F.C.L.G, fiquei surpresa. Todos os músicos sentados no chão no meio da pista... todos tocando e cantando. Uma pena! Ficamos fora da roda, mas as pessoas que estavam mais ali perto sentaram-se com eles. Parecia um ritual. E todos cantando e celebrando. Até que ficou tão forte que todos levantaram juntos em alto e bom som. Muita energia na noite. Após o show e na abertura teve DJ Marcelo Pimenta com o set brasuca de raiz. Não poderiam ter convidado outro DJ para isso. Afinal, Pimenta sempre toca Funk Como Le Gusta em seu set list e bebe da mesma fonte musical.

Às vezes, reclamo de sempre virem as mesmas bandas pra cá. Mas desta vez, mordi a língua. Ainda bem que bons shows se repetem. E que voltem sempre.

Para conhecer o trabalho do Funk Como Le Gusta é só acessar o site ou myspace. Verão que não é exagero meu.

Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Foto: Divulgação

 
 

 

Ney Matogrosso em Beijo Bandido

20/04/2010
 

Uma noite romântica...

Ah! Suspiro só de lembrar. Primeira vez que vejo o tal camaleão ao vivo. Impressionante? Posso dizer que sim. Talvez teria achado mais impressionante o Inclassificáveis, mas aí seria fácil, já que era uma super produção colorida desde a iluminação ao figurino. Agora, impressionar com uma única peça de roupa, simples, elegante... é outro nível. Num terno bege com forro vermelho, Ney Matogrosso, o transeunte da noite, gritou, descabelou, acalmou. O show em si compôs um ar bastante... plástico, sério, pungido, forte, quase um lamento. Cheguei a questionar se esta temporada era uma ''pós'' perda de algum amor ou se era descontentamento amoroso mesmo. As luzes, também simples, casavam harmoniosamente com as canções. Sem dúvida, posso chamar de espetáculo. Show não cabe como descrição. Ah, o olhar dele era impressionante. Trazia muitas palavras em casa canção. Em Beijo Bandido tinha desde Cazuza a Vinicius de Moraes. Tremendão e o Rei até Hebert Vianna e Paula Toller. Uma seleção realmente especial.

O local escolhido pela Orth Produções foi o espaço Arena CentroSul. Como não gosto de prestigiar sentada, ficamos lá no fundo. Assim, aproveitamos, com mais alguns casais, para dançar alguns sambas, tangos e boleros que Ney incluiu no repertório.

No final, nem tão final assim, o paletó continuou sobreposto na cadeira. Fim do espetáculo. Todos saem do palco: Ney, voz; Lui Coimbra, violoncelo e violão; Ricardo Amado, violino e bandolim; Felipe Roseno, percussão; e Leandro Braga, piano, que também fez os arranjos e a direção musical. Para o tradicional bis eles voltam. Fim de novo. As pessoas continuavam a fazer barulho, batendo com os pés no chão de madeira, aplausos e gritos. E eis que surge novamente. Nessa paquera entre artista e plateia ocorreram vários bis. No final, sabíamos que ele tinha ido de verdade quando o paletó não estava mais lá.

Uma ressalva, me sinto muito bem ao ver grandes nomes da música brasileira ainda nos impressionando com trabalhos novos. O que vemos é que muitos desistem no meio do caminho ou não dão mais certo naquela geração. Ney, como Gilberto Gil, continuam com a juventude à flor da pele. Parabéns também às produtoras de Floripa, em geral, que apostam em shows assim.

E termino esse texto do show, que foi um deleite sonoro, com um pedacinho de uma canção, que está na abertura do site:

"Se canto sou ave, se choro sou homem. Se planto me basto, valho mais que dois. Quando a água corre, a vida multiplica. O que ninguém explica é o que vem depois..."

P.S: As músicas podem ser baixadas no site official do Ney Matogrosso: www2.uol.com.br/neymatogrosso

Dani Medeiros
danielledemedeiros@gmail.com
Fotos: Divulgação

 
 

 
Roubado por um Beijo Bandido
20/4/2010
 

Ney Matogrosso encanta público que lotou a Arena Centrosul, ontem, em Florianópolis.

Um dia 20 de abril especial. Por várias razões. Para muitos foi uma véspera de feriado ideal para começar aquela dieta que sempre é adiada, para organizar algumas coisas que estavam pendentes no escritório, para fazer faxina em casa, para rever uns amigos, para ir à praia, para um encontro casual ou para assistir ao novo show do Ney Matogrosso, na Arena CentroSul, no Centro da Ilha de Santa Catarina. A plateia que esteve no espetáculo se sentiu roubada, invadida, provocada com o show Beijo Bandido. Foi uma afronta ao encontro com a excelência vocal e a presença do cantor de 68 anos de idade.

Diferente da última turnê Inclassificáveis, que trazia um Ney fantasiado, mais Secos e Molhados, mais roqueiro, mais pop, mais dançante, o show Beijo Bandido mostrou uma versão mais provocante do cantor e mais intimista, por mais clichê que seja quando se trata de Ney Matogrosso. Quatro músicos estão no palco – Violino, Cello, piano elétrico e percussão. Eis que surge, de terno e gravata, com uma elegância incontestável o camaleão, como também é conhecido o intérprete. Aquele que alguns viram ano passado, última vez que esteve em Desterro, todo fantasiado interpretando um repertório que passeava sobre coisas inclassificáveis como a mistura de raças do povo brasileiro.

Agora o repertório estava recheado de clássicos da música popular brasileira. A canção de abertura Tango para Tereza, de Altemar Dutra, deu o tom de como mais ou menos seriam os momentos de provocação (peço a licença para não chamar de show agora). A iluminação e as imagens que apareciam num telão que servia de cenário no fundo do palco foram um atrativo à parte, mas nada de roubar a cena de um dos maiores intérpretes que o Brasil tem. Tudo parecia uma soma. Som super delicado, iluminação linda, cenário rico e Ney Matogrosso é igual a um espetáculo de 1 hora e 40 minutos que dá gosto de ver e rever. Ainda com direito a 4 Bis. O povo fez barulho. Ninguém queria ir embora.

Devo confessar que a música Fascinação, versão feita por Armando Louzada, que geralmente é cantada por mulheres, ficou de uma delicadeza só na voz do cantor. Recomendo que ouçam. O sucesso Não Faça Assim, composto por Herbert Vianna e Paula Toller, também ganhou uma versão de arrepiar. E falo como crítico e músico. Para os que tiveram a oportunidade de assistir e para os que ainda vão apreciar as interpretações do artista, repito, foi incrível e vale a pena.

No show Beijo Bandido você se sente roubado, provocado, tocado e tantos outros adjetivos que serviriam, mas não cabem aqui, para descrever o sentido real da experiência que muitos na Ilha viveram ontem.

Só mais uma coisa: tudo o que foi dito acima é uma constatação. Quando se trata de Ney Matogrosso, precisamos tomar cuidado para não sermos pretensiosos por não admitir que ele é sim um dos maiores nomes da música popular brasileira. Vida longa ao Camaleão.

Billy Rezk
angelusbilly@hotmail.com
Texto
Fotos:
Rê Oliveira

 

 
The Brazilian Cello deixa sua marca no Teatro Pedro Ivo
20/4/2010
 

Cristina Capparelli e Tânia Soares são a ilustração do virtuosismo erudito.

Para que se faz um show ao vivo? Uma apresentação, uma performance, um recital, enfim. Para que se apresentar ao vivo? Para que levar um público pagante a um teatro para assistir a uma execução artística? Hoje nós temos CDs e aparelhos de som moderníssimos, que nos permitem ouvir com clareza todos os sons, todos os harmônicos. Temos DVDs para ter a imagem junto ao som. Temos softwares tão sofisticados que podem, a partir de uma partitura, executar uma obra com qualquer instrumento, podem afinar ou desafinar instrumentos e vozes, podem, inclusive, mixar vozes de cantores famosos a uma obra qualquer. Então repito. Para que se faz um show ao vivo? O teatro respondeu a esta pergunta quando lhe surgiu a necessidade de sobrevivência frente a cinema e, posteriormente, televisão.

Se faz uma apresentação ao vivo por conta da relação que se cria entre artista e público. É uma relação única a cada apresentação. O público consegue ver coisas no show ao vivo que não se vê em qualquer outra mídia, vê o envolvimento do artista com sua obra.
Há algum tempo, a única forma de um indíviduo conhecer a obra de, digamos, Debussy, era indo a um concerto. Não havia gravações. A única maneira era ir a um concerto. E, nestes concertos, a técnica de quem executava a obra era de exímia importância. Assim, podia-se ter uma noção do que Debussy pretendera transmitir ao compor.

Esta necessidade não existe mais. As artes visuais foram pioneiras nesta conclusão. Hoje não se vê mais um artista copiando exatamente a paisagem que está na sua frente. A expressão, nas correntes contemporâneas da pintura, está embrulhada em formas, cores e traços que não reproduzem fielmente uma paisagem ou um retrato, mas, de alguma forma, conseguem nos mostrar o íntimo do pintor. A relação do pintor com suas emoções ou com o que quer que seja.

A música erudita ainda não conseguiu entender isso. Não em sua maioria. Ainda se fazem concertos em que o artista expressa todo o seu virtuosismo ao executar a obra dificílima de um compositor. Só. E aí eu pergunto. E daí? Por que eu vou até um teatro, pagar e assistir a isso?

Foi isso que aconteceu durante o concerto de Cristina Capparelli (piano) e Tânia Lisboa (violoncello). As duas mostram um domínio impecável do instrumento. Ensaiadíssimas, Lisboa e Capparelli não hesitaram em uma nota, uma dinâmica, uma ênfase, um stacatto. Nada. Execução perfeita de um repertório belo e escolhido a dedo. Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Henrique Oswald, Debussy e, para mim, uma surpresa, pois não o conhecia: C. Franck, compositor belga que deu início às sonatas cíclicas. Uma bela composição! E, de novo, perfeitamente executada.

Mas por que elas escolheram este repertório? Que tipo de emoção liga as intérpretes a estes autores? Não sei. Não sei porque as duas entraram e saíram do palco cerca de cinco vezes e não deram 'boa noite' à plateia. Mal nos olharam. Cochichavam algo com o estudante de música que cuidava das partituras. Nos deixaram completamente de fora de sua arte. De sua turnê. Não havia um cenário, uma palavra delas no programa, apenas seu extenso currículo nos melhores conservatórios do mundo. Não havia uma troca de olhares, uma mudança em suas expressões que não fossem a precisa marcação dos compassos. Resultado? A gente escuta mas não ouve, aprecia mas não sente. E, na hora de fazer um comentário, não há nada mais para dizer além de: técnica impecável.

Claudia Mussi
redacao2@guiafloripa.com.br
Texto
Fotos:
Divulgação

 



Indique o Guia Floripa para um amigo Clique aqui e indique esta coluna para um amigo.




     

Copyright© 1996 - 2010 Guia Floripa
Todos os direitos reservados
Fale conosco